Por que aparecem vasinhos e varizes nas pernas
Vasinhos e varizes não são apenas uma questão estética. Eles surgem quando as veias das pernas ficam mais frágeis e têm dificuldade de enviar o sangue de volta ao coração. Esse “engarrafamento” aumenta a pressão dentro dos vasos, expandindo suas paredes e deixando-os visíveis na pele como linhas arroxeadas, avermelhadas ou azuladas.
Diversos fatores elevam o risco. A genética tem grande peso: se seus pais têm varizes, suas chances aumentam. Além disso, o sobrepeso, a má circulação, o sedentarismo e passar longos períodos em pé ou sentado agravam o problema. Em mulheres, o uso de anticoncepcionais ou terapias hormonais também contribui, pois os hormônios podem enfraquecer as paredes venosas. A gravidez, pela combinação de alterações hormonais e aumento de pressão abdominal, é outro gatilho clássico.
Embora hábitos saudáveis ajudem na prevenção, quando os vasinhos já estão presentes, tratamentos direcionados — como a escleroterapia — costumam ser a forma mais eficaz de melhorar a aparência e aliviar desconfortos como peso, queimação e cansaço nas pernas.
O que é escleroterapia e como funciona
A escleroterapia é um procedimento minimamente invasivo que utiliza substâncias específicas (os “esclerosantes”) para fechar os vasinhos e pequenas veias dilatadas. Ao serem injetados dentro do vaso, esses agentes irritam de forma controlada a parede interna, fazendo com que ela colabe. Com o tempo, o corpo absorve esse “fio desativado” e o traço escuro na pele desaparece gradualmente.
Os esclerosantes mais comuns incluem soluções como glicose hipertônica e polidocanol, que podem ser utilizadas em concentrações diferentes conforme o calibre do vaso. Em veias um pouco maiores, a técnica pode ser feita na forma de espuma, que desloca o sangue do interior da veia e amplia o contato da substância com a parede, aumentando a eficácia.
Resultados não são imediatos. O aspecto escuro pode piorar nos primeiros dias (devido a microcoágulos no vaso tratado) para depois clarear conforme o corpo reabsorve o conteúdo. Normalmente, são necessárias várias sessões, com intervalos definidos pelo médico, para alcançar um resultado uniforme e natural.
Tipos de escleroterapia
– Escleroterapia líquida: indicada principalmente para vasinhos (telangiectasias) e microvarizes superficiais.
– Escleroterapia com espuma: mistura do esclerosante com ar ou gás, criando uma espuma densa. Boa opção para veias um pouco maiores, pois aumenta a área de contato.
– Laser transdérmico combinado: em alguns casos selecionados, o especialista pode associar o laser superficial à escleroterapia para potencializar os resultados, sobretudo em vasinhos muito finos.
Vantagens do método
– Procedimento de consultório, sem necessidade de centro cirúrgico.
– Retorno rápido às atividades leves.
– Alívio de sintomas como peso e ardor nas pernas, além do ganho estético.
– Excelente custo-benefício para vasinhos e microvarizes quando comparado a soluções cirúrgicas para casos equivalentes.
Quem pode fazer e quem deve adiar
A avaliação individual é essencial. Em geral, a escleroterapia é indicada para quem apresenta vasinhos, microvarizes e, em casos selecionados, veias um pouco maiores, desde que não haja insuficiência venosa avançada. Se há dor, inchaço frequente, coceira ou pigmentação na pele, informe ao médico: sintomas podem orientar a escolha do melhor plano terapêutico (que pode incluir meias de compressão, mudanças de hábitos e, às vezes, cirurgia para varizes maiores).
Contraindicações e cuidados especiais
– Gestantes e lactantes: por segurança, aguardar o fim da gestação e do aleitamento.
– Histórico de alergia às substâncias utilizadas: é crucial relatar ao profissional.
– Doença arterial periférica, diabetes avançado ou infecção ativa na pele: representam risco adicional e geralmente adiam o procedimento.
– Trombose venosa recente: requer avaliação vascular cuidadosa e, em muitos casos, adiamento.
– Imobilidade prolongada ou histórico de trombofilia: discutir com o médico a necessidade de medidas preventivas.
Pessoas que usam anticoncepcionais ou fazem terapia hormonal podem realizar o procedimento, mas devem conversar com o especialista sobre riscos e cuidados complementares, como o uso de meias de compressão e deambulação precoce após a sessão.
Expectativas realistas
A escleroterapia melhora de forma significativa a aparência dos vasinhos, mas pode ser necessário um plano em etapas. Nem todos os vasos respondem da mesma forma, e alguns podem demandar doses ou técnicas diferentes. Além disso, o tratamento não muda a tendência genética: novos vasinhos podem surgir com o tempo, exigindo manutenções periódicas.
Como é o procedimento, passo a passo
Saber exatamente o que vai acontecer ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a experiência. O roteiro é simples e focado no conforto do paciente.
Antes da sessão
– Avaliação clínica: o médico examina as pernas, define as áreas prioritárias e orienta sobre o número estimado de sessões. Se necessário, pode solicitar exames (como ultrassom vascular) para descartar varizes de maior porte.
– Planejamento personalizado: escolha do tipo e da concentração do esclerosante conforme o calibre e a profundidade dos vasos.
– Orientações prévias: evite cremes oleosos no dia da sessão, não faça depilação com cera 48 horas antes e não exponha as pernas ao sol nas 72 horas prévias para reduzir risco de manchas.
Durante a aplicação
– As pernas são higienizadas e marcadas, destacando os vasinhos a tratar.
– Com uma microagulha, o médico injeta pequenas quantidades da substância diretamente no vaso. É normal sentir leve ardor, picadas ou uma sensação de pressão por segundos.
– À medida que o esclerosante atua, o vaso pode escurecer imediatamente ou ficar menos visível.
– Em alguns casos, o especialista realiza compressões manuais e posiciona curativos específicos para auxiliar o colabamento do vaso.
– A sessão dura, em média, de 20 a 40 minutos, a depender da área tratada e da técnica.
Logo após
– Curativos e, frequentemente, meias de compressão são recomendados para manter a parede do vaso colabada.
– Caminhar moderadamente por 10 a 20 minutos é orientado para melhorar a circulação e reduzir risco de eventos indesejados.
– Você pode voltar a atividades leves no mesmo dia, seguindo as restrições orientadas.
Cuidados após a sessão e tempo de recuperação
O pós-procedimento é tão importante quanto a técnica aplicada. Bons hábitos aceleram a recuperação e elevam a qualidade do resultado estético da escleroterapia.
Primeiras 48 horas
– Evite levantar peso ou exercícios de alta intensidade.
– Caminhe de forma moderada, preferencialmente em diferentes momentos do dia.
– Mantenha as pernas elevadas por 10 a 15 minutos, 2 a 3 vezes ao dia, para ajudar no retorno venoso.
– Use as meias de compressão conforme orientação médica (geralmente de 24 a 72 horas, podendo variar).
– Não exponha as áreas tratadas ao sol e evite fontes de calor intenso (banhos muito quentes, sauna).
Da primeira semana até 30 dias
– Siga com caminhadas leves e aumente gradualmente a atividade física conforme liberação do profissional.
– Hidrate a pele com loções neutras; evite ácidos e esfoliantes na região tratada por 7 a 10 dias.
– Caso surjam manchas roxas (hematomas) ou escurecimento local, são esperados e tendem a clarear. Gelo envolto em pano por 10 minutos, duas vezes ao dia nas primeiras 48 horas, pode ajudar no conforto.
– Use protetor solar nas pernas diariamente se houver exposição eventual.
– Retorne para reavaliação no intervalo indicado: a próxima sessão é programada conforme a resposta do tecido (em geral, a cada 2 a 6 semanas).
Sinais de alerta (pouco comuns)
– Dor intensa contínua, vermelhidão que se espalha ou secreção (sugerindo infecção).
– Inchaço súbito e assimétrico de uma perna.
– Reação alérgica (coceira generalizada, urticária, falta de ar).
Se notar qualquer um desses sinais, entre em contato com seu médico imediatamente.
Resultados, manutenção e expectativas realistas
A maioria dos pacientes nota melhora visível entre 2 e 6 semanas após a escleroterapia, conforme o organismo reabsorve os vasos tratados. Vasinhos mais finos costumam responder mais rápido; veias maiores podem demandar múltiplas sessões e ter resolução mais gradual.
Linha do tempo típica
– Primeiros 2 a 3 dias: discreto escurecimento e pequenas áreas arroxeadas são comuns.
– 7 a 14 dias: vasos começam a clarear; possível sensibilidade ao toque reduz.
– 4 a 8 semanas: avaliação do resultado para indicar reforço, manutenção ou mudança técnica.
– 3 a 6 meses: estabilização do aspecto estético.
Como manter os ganhos ao longo do tempo:
– Continue usando meias de compressão em situações de risco (viagens longas, longos períodos em pé).
– Pratique atividade física regular, sobretudo caminhadas e exercícios que ativam a panturrilha, a “bomba” do retorno venoso.
– Controle do peso, alimentação equilibrada e hidratação adequada.
– Pausas para movimentar as pernas se você trabalha sentando ou em pé por muitas horas.
– Evite fontes de calor prolongado direto nas pernas (banhos muito quentes, sol intenso), que dilatam veias.
Possíveis efeitos colaterais e como lidar
– Ardor e coceira leves: costumam durar horas a poucos dias; compressas frias ajudam.
– Hematomas e hiperpigmentação temporária: tendem a desaparecer em semanas; proteção solar é essencial para evitar manchas persistentes.
– Matting (novas veias finíssimas rosadas próximas ao local): pode ocorrer; muitas vezes melhora com sessões complementares e ajustes de técnica.
– Reações alérgicas: raras, exigem suspensão e orientação médica.
– Trombose venosa: extremamente incomum em casos selecionados e com técnica adequada; medidas como deambulação precoce e avaliação do risco individual reduzem ainda mais a probabilidade.
Lembre-se: o objetivo é tratar os vasos que existem hoje, mas seu corpo pode formar novos com o tempo. Por isso, revisões periódicas com o especialista e rotinas de manutenção garantem resultados mais duradouros.
Perguntas práticas: o que esperar no dia a dia
O conforto e a previsibilidade do processo ajudam a planejar sua rotina durante o tratamento de escleroterapia. Veja respostas diretas às dúvidas mais frequentes.
Dói?
A maioria descreve uma sensação de picada e leve ardor, que dura segundos. Técnicas de resfriamento da pele e agulhas muito finas tornam o procedimento bem tolerável. Em geral, não há necessidade de anestesia.
Posso trabalhar no mesmo dia?
Sim, se o trabalho for leve. Atividades que exijam esforço físico ou levantamento de peso devem ser evitadas conforme orientação médica pelos primeiros dias.
Quando posso voltar a treinar?
Caminhadas leves são incentivadas no mesmo dia. Exercícios de alta intensidade, musculação pesada e atividades de impacto, em geral, são retomados gradualmente após a primeira semana, com liberação do médico.
Posso tomar sol?
Idealmente, adie a exposição solar direta nas áreas tratadas por pelo menos 2 semanas, usando protetor solar mesmo em dias nublados. Isso reduz o risco de manchas.
Quantas sessões de escleroterapia vou precisar?
Varia conforme a quantidade e o tipo de vasinhos. Em média, de 2 a 6 sessões proporcionam uma melhora significativa. O intervalo entre as sessões é definido pelo profissional, respeitando o tempo de resposta dos tecidos.
Quanto tempo dura o resultado?
Os vasos tratados tendem a desaparecer de forma definitiva, pois são reabsorvidos. No entanto, novos vasinhos podem surgir ao longo dos anos devido à predisposição genética, hormônios ou estilo de vida. Sessões de manutenção podem ser indicadas uma ou duas vezes por ano, a depender do seu caso.
Há preparo especial no dia?
Use roupas confortáveis e fáceis de arregaçar. Evite cremes nas pernas e leve suas meias de compressão, caso o médico recomende. Alimente-se de forma leve e hidrate-se bem.
Como potencializar seus resultados
Além das sessões de escleroterapia, pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença na aparência das pernas e no bem-estar diário. Pense nelas como um “seguro de resultado”.
Rotina veno-amigável
– Faça pausas ativas: levante-se e caminhe 3 a 5 minutos a cada 60 minutos sentado.
– Fortaleça a panturrilha: exercícios simples, como elevar e abaixar os calcanhares, melhoram o retorno venoso.
– Use meias de compressão graduada em viagens longas ou jornadas prolongadas em pé.
– Eleve as pernas ao fim do dia, 10 a 15 minutos.
– Prefira água morna no banho e evite saunas frequentes; o calor dilata as veias.
– Modere o sal na dieta, priorize fibras e beba água para reduzir retenção de líquidos.
– Se for o caso, converse com seu médico sobre opções de contracepção com menor impacto vascular.
Quando considerar outras abordagens
Se você tem varizes maiores, refluxo em veias safenas ou sintomas importantes (inchaço persistente, dor, alterações de pele), a avaliação com ultrassom pode indicar terapias complementares, como laser endovenoso, radiofrequência ou microcirurgia. A escleroterapia pode continuar sendo útil para o refinamento estético após o tratamento das veias de maior calibre.
O que diferencia um bom tratamento
Uma boa experiência em escleroterapia combina técnica adequada e cuidados personalizados. Alguns sinais de qualidade a observar:
– Avaliação completa antes de tratar, com exame físico e, quando indicado, ultrassom vascular.
– Explicação clara dos tipos de esclerosante, do número provável de sessões e dos cuidados pós-procedimento.
– Uso de materiais apropriados (agulhas finas, iluminação e lupas transdérmicas quando necessárias).
– Orientações por escrito sobre sinais de alerta e contatos para dúvidas.
– Acompanhamento entre sessões, ajustando a estratégia ao seu padrão de resposta.
Profissionais com experiência em vascular entendem que cada perna conta uma história diferente. O plano de tratamento respeita sua rotina, prioridades estéticas e saúde geral, equilibrando eficácia com segurança.
Resumo prático: o que esperar da escleroterapia nas pernas
– Objetivo: fechar vasinhos e pequenas veias dilatadas para melhora estética e, em muitos casos, de sintomas.
– Sessões: múltiplas, com intervalos definidos pelo médico; resultados são cumulativos.
– Sensações: picadas e leve ardor passageiro durante a aplicação; possível escurecimento temporário.
– Pós-imediato: curativos e, frequentemente, meias de compressão; caminhadas leves são incentivadas.
– Restrições: evitar levantar peso, calor intenso e sol direto inicialmente; elevar as pernas ajuda.
– Segurança: excelente quando bem indicada; gestantes, lactantes, pessoas com alergia ao produto, doença arterial, diabetes avançado ou infecção de pele devem adiar.
– Manutenção: hábitos saudáveis e revisões periódicas preservam os resultados; novos vasinhos podem surgir ao longo do tempo.
Pronto para dar o próximo passo? Agende uma avaliação com um especialista em vascular, tire suas dúvidas e receba um plano de escleroterapia sob medida para suas pernas e sua rotina. Quanto antes você começa, mais cedo vê — e sente — a diferença.
Vasinhos e varizes nas pernas são causados pela fragilidade das veias, dificultando o retorno do sangue ao coração. Isso aumenta a pressão nas veias, levando à formação dessas estruturas visíveis.
Fatores como genética, obesidade, má circulação, hábitos sedentários, uso de contraceptivos e terapia hormonal podem contribuir para seu aparecimento.
A escleroterapia é um tratamento que utiliza substâncias para fechar os vasos sanguíneos, sendo absorvidos pelo organismo. É necessário realizar várias sessões, com intervalo definido pelo médico. Após o procedimento, o curativo ajuda no fechamento dos vasos e redução de manchas roxas. É importante evitar levantar peso, caminhar moderadamente e manter as pernas elevadas após a aplicação. A escleroterapia não é indicada para gestantes, lactantes, pessoas alérgicas às substâncias utilizadas, com doença arterial, diabetes avançado ou infecção na pele.
