Guia pré-operatório simplificado para cirurgia de varizes 2025

Por que um guia pré-operatório importa em 2025

A decisão de operar varizes envolve planejamento, informação clara e uma rotina simples que garante segurança do início ao fim. Em 2025, os protocolos estão mais padronizados, com foco em jejum correto, ajuste de medicações, higiene da pele e organização de documentos. Quando o paciente sabe exatamente o que fazer, o dia da cirurgia flui melhor, o risco de intercorrências cai e a recuperação ganha velocidade. Este guia reúne passos práticos e confirmados pela rotina hospitalar para que você chegue preparado, tranquilo e no horário.

O objetivo é simplificar sem perder a precisão. Você vai aprender que exames precisa ter em mãos, como organizar a semana que antecede o procedimento, quais itens levar, como será o momento no centro cirúrgico e por que o retorno pós-operatório não pode faltar. O resultado é uma experiência mais segura para tratar as varizes, com menos dúvidas e mais previsibilidade.

Exames e liberações obrigatórias antes da cirurgia

Check-list de exames pré-operatórios

A base de um pré-operatório seguro começa com os exames. Em geral, você deve ter em mãos resultados atualizados e liberados pela equipe. Confirme prazos de validade, pois muitos hospitais exigem laudos recentes para o dia da internação.

– Hemograma completo, coagulograma e bioquímica básica: ajudam a detectar anemia, distúrbios de coagulação, função renal e glicêmica.
– Eletrocardiograma (ECG): avalia ritmo e condução elétrica do coração, especialmente útil acima de 40 anos ou com fatores de risco.
– Ultrassom Doppler venoso de membros inferiores: mapeia o trajeto das veias acometidas e guia a estratégia da cirurgia de varizes.
– Outras avaliações conforme o caso: raio-X de tórax, ecocardiograma, função pulmonar ou consulta com cardiologia, quando indicado.

Dicas práticas:
– Leve impressos do Doppler e laudos de todos os exames no dia da cirurgia. Alguns centros não aceitam apenas a versão digital.
– Guarde tudo em uma pasta transparente com seu documento e carteirinha do plano de saúde, se houver.
– Em caso de exames alterados, compartilhe com antecedência; não deixe para avisar a equipe na porta do centro cirúrgico.

Liberação do anestesista: o que esperar

A consulta de avaliação anestésica é o momento de revisar histórico clínico, alergias, medicações e eventuais riscos. É também quando você recebe orientações finais de jejum e ajustes de remédios.

– Leve sua lista de medicamentos com doses e horários.
– Informe cirurgias anteriores, reações à anestesia e episódios de náusea ou vômito pós-operatório.
– Comente doenças prévias (hipertensão, diabetes, asma, apneia do sono), uso de CPAP e história de trombose.
– Pergunte sobre analgesia planejada e medidas contra enjoo.

Ao final, você deve sair com instruções objetivas para o jejum, quais remédios tomar no dia da cirurgia e quais suspender temporariamente. Guarde a liberação junto dos demais documentos.

Jejum, medicações e hábitos na semana anterior

Jejum seguro: 8 horas que fazem diferença

O jejum adequado é uma das etapas mais importantes do pré-operatório. O padrão recomendado é de pelo menos 8 horas para comida sólida. Na prática, a última refeição deve ser o jantar da véspera, leve e de fácil digestão.

– Até 8 horas antes: evite qualquer alimento sólido ou leite.
– Até 2 horas antes (se liberado pelo anestesista): pequenas quantidades de água podem ser permitidas; confirme sua orientação personalizada.
– Não masque chiclete, não chupe balas e não consuma álcool no período de jejum.

Por que isso importa? O estômago vazio reduz o risco de broncoaspiração durante a anestesia, uma complicação evitável quando o jejum é corretamente seguido.

Medicações e suplementos que precisam ser avaliados

Alguns medicamentos aumentam o risco de sangramento ou interferem com a anestesia. Nunca suspenda por conta própria; o ajuste deve ser guiado pela equipe cirúrgica e pelo anestesista.

– Anticoagulantes (por exemplo, varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana): exigem plano específico. Em certos casos, há substituição temporária por heparina (“ponte”), conforme risco trombótico.
– Antiagregantes plaquetários (AAS, clopidogrel): podem ser suspensos alguns dias antes, dependendo da indicação cardiológica. Se você tem stent ou história de eventos cardíacos, essa decisão é conjunta com o cardiologista.
– Anti-inflamatórios (ibuprofeno, naproxeno) e analgésicos com efeito antiplaquetário: evite na semana anterior, salvo orientação médica.
– Fitoterápicos e suplementos: alho em altas doses, ginkgo biloba, ginseng, chá-verde concentrado, vitamina E e óleo de peixe podem aumentar sangramento; idealmente, suspenda 7 a 10 dias antes, com aval médico.
– Antidiabéticos: ajuste de insulina e suspensão de certos hipoglicemiantes orais no dia da cirurgia são comuns; alinhe com o anestesista.
– Anti-hipertensivos: em geral mantidos; porém, alguns (como inibidores da ECA ou BRA) podem ser orientados a ser pausados no dia do procedimento.

Outros hábitos na semana anterior:
– Pare de fumar o quanto antes. Mesmo poucos dias sem cigarro melhoram oxigenação e cicatrização.
– Evite álcool. Ele desidrata, altera a glicemia e pode interagir com anestésicos.
– Priorize sono adequado e hidratação até o início do jejum. Água ao longo do dia anterior costuma ajudar na recuperação.

Preparos práticos para cirurgia de varizes: véspera e dia

Higiene e depilação das pernas

A pele limpa e íntegra reduz a chance de infecção e facilita a assepsia no centro cirúrgico. A recomendação é caprichar na higiene e deixar as pernas preparadas em casa.

– Banho na véspera (e, se possível, também pela manhã): use sabonete líquido neutro, enxágue bem e seque sem esfregar.
– Depilação das pernas: faça em casa no dia anterior, com cuidado para não causar cortes ou irritações. Se tiver pele sensível, prefira aparador elétrico. Evite cremes depilatórios se já teve alergia.
– Não use cremes, óleos, hidratantes ou maquiagem corporal após o banho na área a ser operada.
– Retire esmaltes escuros das unhas, pois a avaliação de oxigenação é facilitada com unhas naturais.

Atenção a pequenos ferimentos: arranhões, micose ativa ou foliculite podem exigir adiamento. Avise a equipe se notar alguma lesão nova.

O que levar, vestir e organizar

Uma boa organização diminui a ansiedade e agiliza o fluxo no hospital. Monte sua sacola na noite anterior e deixe os documentos à mão.

– Documentos: RG, carteirinha do plano (se houver), termo de consentimento assinado, guia de internação e liberação do anestesista.
– Exames: ultrassom Doppler impresso, ECG e demais laudos.
– Medicações de uso contínuo: leve na embalagem original. Tome apenas o que foi orientado para o dia, com pequeno gole d’água.
– Meias de compressão: se foram prescritas, leve o par no tamanho indicado (geralmente de 20–30 mmHg).
– Roupas: vista peças confortáveis e fáceis de colocar após o procedimento, como calça larga, shorts solto e sapatos sem salto.
– Higienização: vá sem joias, relógios ou piercings; retire lentes de contato. Leve óculos, se usa.
– Acompanhante: combine horário e local de encontro. É obrigatória a presença de alguém responsável para a alta.

No dia da cirurgia de varizes:
– Chegue com antecedência para admissão e conferência do check-list.
– Respeite o jejum informado. Se houver qualquer dúvida, fale com a equipe de enfermagem na chegada.
– Informe se usou algum medicamento não combinado ou se houve mudança clínica desde a última consulta.

No centro cirúrgico: passo a passo até a alta

Admissão, marcação das veias e anestesia

Depois da admissão, você encontrará a equipe de enfermagem, o anestesista e seu cirurgião. A checagem de segurança é padrão: identificação, alergias, lado a ser operado, jejum confirmado e exames disponíveis.

– Marcação das veias: com base no seu ultrassom, as veias serão palpadas e marcadas na pele para orientar incisões ou punções, conforme a técnica escolhida.
– Tipos de anestesia: local, local com sedação, raquidiana ou geral, de acordo com a extensão do procedimento e seu perfil clínico. O anestesista explicará a melhor opção.
– Monitorização: você usará dispositivos que acompanham pressão, frequência cardíaca e oxigenação durante toda a cirurgia.

Técnicas para tratamento de varizes variam entre cirurgias abertas, ablações térmicas (laser endovenoso, radiofrequência), selantes e espuma guiada por ultrassom. Independentemente do método, as etapas são padronizadas para manter conforto e segurança.

Controle da dor e primeiros passos

O controle da dor começa antes do término da cirurgia, com medicações analgésicas e, quando indicado, medidas para reduzir náuseas. No pós-imediato, você será avaliado quanto a tontura, sangramento e conforto.

– Levantar e caminhar: movimentação precoce é incentivada para reduzir risco de trombose. Você receberá ajuda para os primeiros passos.
– Curativos: pequenos curativos ou bandagens serão posicionados. Siga a orientação sobre quando reforçar ou trocá-los.
– Meias de compressão: em muitos casos, são colocadas ainda no hospital. Elas ajudam a reduzir inchaço e hematomas, além de dar suporte às veias tratadas.
– Alta no mesmo dia: a maioria dos procedimentos de varizes é ambulatorial. Com sinais vitais estáveis e acompanhante presente, você recebe as orientações para casa.

Antes de ir embora, revise:
– Telefone de contato para dúvidas ou intercorrências.
– Quando retomar medicações suspensas.
– Doses e horários de analgésicos e cuidados com curativos.

Retorno e primeiros dias: segurança e recuperação

Consulta de retorno e rotina de cuidados

O retorno pós-operatório é a peça-chave para validar sua evolução e ajustar o que for necessário. Não falte. É nele que o cirurgião avalia curativos, controla hematomas, confere a compressão e planeja eventuais retoques ou sessões adicionais.

Nos primeiros dias:
– Caminhada leve: várias vezes ao dia, por 10–15 minutos, respeitando seu conforto.
– Elevação das pernas: 2–3 vezes ao dia por 15–20 minutos ajuda a reduzir o inchaço.
– Compressão elástica: use conforme prescrito (geralmente durante o dia, por 1 a 3 semanas). Vista ao acordar e retire para dormir, se essa for a orientação.
– Trabalho e dirigibilidade: ative-se gradualmente. Em ocupações sedentárias, retorno pode ser rápido; para trabalhos físicos, confirme prazos com a equipe.
– Banho: permitido após liberação, geralmente 24 horas depois, cuidando para não esfregar os curativos nos primeiros dias.

Quanto à pele e às veias:
– Equimoses (manchas roxas) e leve endurecimento em trajetos tratados são comuns e tendem a regredir.
– Sensação de repuxamento ou “cordão” pode ocorrer com ablações endovenosas; compressa morna e caminhada ajudam.

Sinais de alerta e quando contatar a equipe

A maioria dos sintomas melhora a cada dia. Ainda assim, alguns sinais exigem contato imediato com a equipe.

– Dor intensa e progressiva não aliviada por analgésicos.
– Sangramento ativo que encharca o curativo ou não cede com compressão leve.
– Vermelhidão extensa, calor local e febre persistente.
– Edema súbito e dor na panturrilha, especialmente em um lado, com ou sem falta de ar.
– Reações alérgicas: coceira generalizada, inchaço de lábios ou língua, dificuldade para respirar.

Em paralelo, confirme por escrito:
– Quando pode retomar atividade física moderada e exercícios vigorosos.
– Orientações específicas se você tem comorbidades (diabetes, varizes recorrentes, histórico de trombose).
– Próximos passos se houver necessidade de revisão estética ou tratamentos complementares.

Perguntas frequentes que simplificam seu pré-operatório

Preciso mesmo levar todos os exames impressos?

Levar os laudos impressos, especialmente o ultrassom Doppler, evita atrasos e desencontros. Muitos centros ainda arquivam cópias físicas no prontuário do dia. Além disso, ter os exames à vista permite que a equipe revise rapidamente qualquer ponto antes da cirurgia de varizes.

Posso depilar no dia da cirurgia?

O ideal é depilar no dia anterior, em casa, para minimizar cortes e irritação. Se a pele ficar avermelhada ou com microferidas, há maior chance de adiar o procedimento. Evite cremes se tiver histórico de alergia; aparadores elétricos são opções seguras para pele sensível.

Quem não pode ser meu acompanhante?

Evite acompanhantes que não possam permanecer no hospital até sua alta ou que estejam com sintomas gripais. O acompanhante deve ter mais de 18 anos, portar documento e estar apto a receber e entender as orientações de pós-operatório.

Se eu esquecer e tomar AAS no dia anterior, o que faço?

Avise a equipe imediatamente. Dependendo da dose, da sua indicação cardiovascular e do tipo de cirurgia planejada, o procedimento pode seguir ou ser reagendado. Nunca esconda essa informação; transparência é sinônimo de segurança.

Check-list final para o dia da cirurgia

Revise em 2 minutos antes de sair de casa

– Jejum cumprido: última refeição foi o jantar leve da véspera.
– Medicações: tomou apenas o que foi autorizado para o dia.
– Higiene: banho realizado, sem cremes na pele; pernas depiladas no dia anterior.
– Documentos: RG, plano de saúde, consentimento, liberação anestésica.
– Exames: ultrassom Doppler, ECG e laudos em pasta.
– Meias de compressão: tamanho correto já separado na bolsa.
– Roupas e calçados confortáveis: fáceis de vestir após a cirurgia.
– Acompanhante confirmado: sabe horário e local de encontro.

Se algo mudar, comunique

– Sinais de infecção: febre, tosse, ferida na perna, micose ativa.
– Uso inadvertido de medicamento não autorizado.
– Queda, entorse ou nova dor na perna a ser operada.

A equipe está preparada para orientar e, se necessário, remarcar. O importante é a segurança em primeiro lugar.

Erros comuns que atrasam ou complicam o procedimento

Subestimar o jejum e “beliscar” pela manhã

Mesmo pequenas quantidades de alimento ou bebidas calóricas podem implicar em adiamento. Lembre-se: água pura, em pequeno volume, só se o anestesista liberar e até o limite de tempo informado.

Esquecer de comunicar uso de anticoagulantes e fitoterápicos

Muitos suplementos “naturais” têm efeito sobre a coagulação. Faça uma lista completa e mostre na avaliação anestésica. O mesmo vale para vitamina E em altas doses e óleo de peixe.

Chegar sem exames impressos ou sem acompanhante

A ausência de documentos, laudos e acompanhante costuma inviabilizar a alta no mesmo dia. Organize seus itens na véspera e cheque em voz alta com quem irá acompanhá-lo.

Depilar em cima da hora e irritar a pele

A pele sensibilizada dificulta a antisepsia e pode aumentar risco de infecção superficial. Depile com antecedência e cuidado, especialmente se tiver histórico de dermatite.

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Hábitos que ajudam suas veias após o tratamento

Tratar varizes é também abrir espaço para novas rotinas que protegem a saúde venosa. Pequenas escolhas diárias mantêm o conforto e reduzem a chance de retorno de sintomas.

– Caminhada regular e fortalecimento de panturrilhas.
– Pausas ativas no trabalho: levante-se a cada 50–60 minutos.
– Peso corporal adequado e alimentação equilibrada.
– Meias de compressão em situações de maior demanda (viagens longas, jornadas em pé).
– Hidratação e sono de qualidade.

Vigilância e acompanhamento

Siga o plano de acompanhamentos proposto pela sua equipe. Em alguns casos, um novo Doppler após alguns meses ajuda a confirmar a eficácia e detectar veias residuais. Se notar desconforto, cansaço nas pernas ao final do dia ou surgimento de novos trajetos visíveis, agende uma avaliação precoce. O diagnóstico oportuno facilita intervenções menores e mais precisas.

Com preparo objetivo, comunicação clara e atenção aos detalhes, a sua cirurgia de varizes tende a ser tranquila, previsível e com rápida recuperação. Agora é hora de colocar o plano em prática: confirme sua lista de exames, organize a véspera e alinhe o acompanhante. Se restou alguma dúvida, entre em contato com sua equipe hoje mesmo e chegue ao dia marcado com total confiança.

A doutora Alexandra Matos, cirurgiã vascular, fornece orientações pré-operatórias para pacientes que irão realizar cirurgia de varizes. Primeiro, é importante ter a data da cirurgia agendada e os exames pré-operatórios prontos, como exames de sangue, eletrocardiograma e a liberação do anestesista. O jejum de pelo menos 8 horas é essencial, e a última refeição deve ser no jantar anterior. Pacientes devem evitar medicamentos que afinem o sangue e, se necessário, informar a equipe cirúrgica. É recomendado fazer a depilação dos pelos das pernas em casa e tomar um banho na véspera da cirurgia. No dia, é preciso levar exames de imagem e ter um acompanhante para a alta. A doutora enfatiza a importância do retorno pós-operatório para avaliar a recuperação e reforça a necessidade de comparecer na data marcada.

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